Olha, eu não seu porque gastar meus dedos falando com ninguém.
E não, não... Eu não consigo entender, porque jogar as minhas palavras aqui, aonde ninguém vê. Onde ninguém lê.
To desejando com todas as minhas forças a minha cama. O meu mundo. To construindo um planeta dentro do meu quarto.
No meu planeta não tem estrelas, e a noite ele fica escuro. Meu abajur é minha televisão que por incrível que pareça não quer trocar de canal.
Ah, e lá também tem minha lâmpada, mais eu acendo poucas vezes.
Na verdade eu to desejando essas farsas, porque queria que a vida fosse um pouco mais simples.
A principio, eu queria abraçar o mundo, mais eu sei que se isso acontecer eu não terei mais tempo pra mim, de tantas coisas que eu hei de me dedicar.
Queria não ir pra escola, na verdade, não queria ter essa obrigação, queria faltar hoje, amanha, e sexta também.
Hoje eu queria meu pijama novo, um copo enorme de leite, chocolate e canela.
Queria conseguir trocar de canal, e também mudar as falas dos políticos. Quem sabe se eles me recitassem uns poemas, lessem um livro, não fosse mais interessante.
Apertar o sap, e os ouvir cantando uma musica legal.
Ou poder ligar pra alguém, e ficar ouvindo seu mundo, pra ver se seu mundo faz o mesmo barulho que o meu. Se seu mundo tem as paredes geladas que nem no meu.
Se teu mundo tem paredes verdes, e se a disposição dos teus moveis não te agrada e você ao menos os troca de lugar, porque a fadiga é sua farda!
Queria voltar a ter 7 anos, passar o final de semana na casa da minha vó, e ficar na piscina o sábado inteirinho... e depois comparar minhas mãos enrugadas da água, com as dela, calejada da vida.
Não me preocupar com o cheque que voltou, e nem com o funcionário que esta me dando dor de cabeça.
Deitar feliz, e bem pequenininha, numa cama tão grande.
Queria que as pessoas fossem mais elas, e menos eu.
Que elas continuassem agindo de forma qual me magoaria, mais que fossem pura personalidade.
Passaram-se dez minutos, e eu to escrevendo pra ninguém, contando meu segredo diretamente pra você, você, ninguém, tanto faz!
Com toda essa saudade de tempos que eu era criança, com todos esses medos que carrego desde a minha infância.. contudo, me resta dizer que: meus pés estão no chão, minha cabeça em outro lugar.
Já não penso em mais ninguém, foi assim que me fizeram pensar.
Amanhã é um novo dia, e ninguém vai me impedir de ser feliz, nem mesmo eu, e nem meu mau humor.
Passar bem!
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